Por que alguns alimentos fazem você engordar mesmo sem exagerar?
- Suddha Yoga e Ayurveda - Dr Ruguê

- há 20 horas
- 4 min de leitura
A alimentação que pode levar ao sobrepeso
OS ALIMENTOS QUE AUMENTAM kapha (dosha ou biótipo do pesado e letárgico, representado pelos elementos água e terra) têm o sabor doce, salgado e ácido. Também os alimentos gordurosos, frios e pesados para a digestão. No Ayurveda, não levamos em consideração, prioritariamente, o número de calorias presentes nos alimentos, mas a natureza de cada alimento, da pessoa que come, do modo de preparo, das associações e do horário.
Por exemplo, nos ciclos do dia, se a pessoa come nos horários de predomínio da energia kapha na natureza, das 6 da manhã às 10 horas e das 18 às 22 horas, esses alimentos tendem a se transformar mais em reserva do que em energia para a atividade. Isso se explica pelos ciclos hormonais e não é absurdo dentro da fisiologia moderna. Portanto, devemos evitar alimentos com os sabores citados acima nesses horários ou reduzi-los, ainda associados com alimentos quentes, picantes, estimulantes, com baixa quantidade de açúcares.

Em geral, na nossa cultura, o café da manhã é muito doce — pães, leite, queijos, iogurte — e frio — sucos, cereais crus e frios, o que é contrário às necessidades daqueles que querem estimular o metabolismo para perder peso. Associar carnes (incluindo aves e peixes) com laticínios (queijos, molhos brancos) é inadequado e pode causar formação de toxinas que inibem o metabolismo. Excesso de saladas cruas e líquidos gelados também contribuem para reduzir o agni (o fogo digestivo, as enzimas).
Comer sem fome e sem que a refeição anterior tenha sido completamente digerida é, do ponto de vista ayurvédico, uma das principais causas de formação de toxinas e gordura. Portanto, se quiser seguir os princípios ayurvédicos, esqueça as doutrinas de comer a cada três horas e obedeça aos ciclos naturais de seu organismo. Estimular a fome com alimentos picantes como gengibre ajuda a reduzir peso porque aquece o metabolismo e melhora o desempenho da digestão.
AMBIENTE
O clima frio e úmido deve ser observado com maior cuidado porque ele tende a agravar kapha. No outono-inverno, pessoas com predominância de kapha no biótipo (são mais corpulentas) devem ter um cuidado especial, devendo fazer desintoxicações e regular de forma mais austera sua dieta. Isoladamente, tanto a umidade quanto o frio podem causar o mesmo problema.
Da mesma forma, classificados como ambiente estão os fatores genéticos que os textos antigos apontam como um fator determinante da tendência ao sobrepeso. Se, ainda, o ambiente humano favorecer o aparecimento dos três fatores anteriores como, por exemplo, ambiente familiar ou de trabalho nos quais predominem mágoas, melancolia ou onde haja muitos exemplos de sedentarismo ou maus hábitos alimentares, isso propicia o aparecimento da obesidade. Os fatores hormonais também são classificados aqui.
O PROCESSO
Quando um desses fatores, ou o que é mais comum, uma sobreposição deles, se estabelece na vida de uma pessoa, há o acúmulo da energia kapha dentro dela, o que funciona como gatilho para desencadear um complô interno do organismo de reserva máxima, economia máxima e gasto mínimo, como se a inteligência interna de nosso organismo estivesse prevendo a falta de alimentos, semelhante ao que fizemos há alguns anos quando havia ameaça de “apagão” elétrico. Reduzimos as lâmpadas, desligamos aparelhos. Também, por exemplo, as abelhas, antecipando o período de escassez do inverno, reservam alimentos na forma de mel.
Nós o fazemos na forma de gordura, mas, da mesma maneira, não permitimos vir esse período de escassez e, então, nosso organismo acumula tecido gorduroso. Quando fazemos dietas muito restritivas para perder peso, nosso organismo reforça essa “sensação” de escassez e isso aumenta o complô interno, levando àquele quadro tão conhecido e frustrante de perda rápida inicial e, depois, total dificuldade de perder peso.
Nesse “complô” citado acima, nossa temperatura corporal cai alguns décimos de grau, o que já significa redução do gasto, ficamos mais sem vontade de fazer atividade física, mais melancólicos e tendo preferência por alimentos de sabor doce, como massas e pães.

Esse acúmulo de kapha e redução do agni causam distúrbio de vata (biótipo da energia fria, seca e “avoada”, representado pelo ar), o que significa dificuldade de movimento dos líquidos internos, bloqueios, obstruções. Os alimentos, então, são dirigidos preferencialmente ao tecido gorduroso e aos demais tecidos, principalmente os mais “sutis”, como ossos, tecido nervoso e reprodutivo, tendem a sofrer de desnutrição porque os nutrientes não chegam adequadamente, explicando os vários problemas que se associam com a obesidade.
Assim, a obesidade é considerada pelo Ayurveda como um distúrbio kapha associado a vata, com alteração do agni, formação de ama (toxinas) e bloqueio dos srotas (canais). Todas as teorias modernas sobre os mecanismos da obesidade como a genética, o conceito de alterações do centro da saciedade no hipotálamo, a teoria termostática, a teoria glicostática, a psicológica e a teoria da leptina, neuropeptídeo Y e outras são condizentes com os conceitos ayurvédicos.
Mas o Ayurveda tem um plano de abordagem específico para cada pessoa, dentro da fisiopatologia citada. Nesses programas, a aplicação de panchakarma, os métodos mais intensos de desintoxicação dirigidos adequadamente por médicos que conheçam tudo isso, tem um papel primordial.
Metabolismo lento é um estado — não um destino. Conheça e reserve seu lugar no programa de panchakarma e veja a diferença que o ayurveda pode fazer na sua vida e no seu dia a dia:
Artigo escrito por Dr. José Ruguê Ribeiro Jr. é médico clínico geral, autoridade em Ayurveda, um dos profissionais da área mais respeitados no Brasil e na Índia, onde recebeu o título de Arya Bhishak (médico nobre dotado de sabedoria).
(Revista Prana Yoga Journal - Maio 2009)



Comentários